A tal sinceridade tá aqui. Falar disso. Vamos lá.
Quem sabe o que aconteceu vai entender bem esta estória. Quem não sabe, imagina.
11/setembro/2011, domingo.
Primeira coisa que vou escrever depois d'aquilo.
Na verdade, isso tudo morreu para mim em 2004.
Imagina que eu trabalho num hospital. Faxineiro da madrugada. Aquele que ninguém vê. Imagina ele. Sou eu.
Então estou lá, madrugada, e vou limpar a sala onde ficam os cadáveres do dia.
Olhei para uma das macas e vi que um dos mortos mexeu um dedo da mão.
Alguma parte de mim olhava e via 'se há movimento, há vida'.
Outra parte repetia "movimentos post-mortem, lembre-se do que o cinema te ensinou".
Venceu o lado romântico, e eu levei o cadáver de volta para a mesa de cirurgia
liguei desfibriladores, e tudo.
Tudo que eu, um faxineiro sozinho num hospital, imaginei poder fazer.
Mas, veja só que coisa, o cadáver não voltou à vida.
Daí agora vou eu, sozinho, novamente, levar o cadáver de volta para as 'sala dos mortos'. Ô trabalho chato, este, de faxineiro curioso. Vou estudar para ver se melhoro de vida.
É bem isso, levar o cadáver de volta para a 'gavetas dos mortos'. Mas tem algumas idéia em que acredito: 'só é sincero o amor impossível'.
Cada pessoa dorme com quem pode, não com quem quer.
Então, 'eu te amo' se torna "das pessoas possíveis, você é a que mais amo".
Tem várias facetas do mesmo diamante.
"eu queria amar você,
mas não posso amar você,
então não te amo"
Parece que eu não me deixei ser muito afetado pelo que aconteceu. A verdade é que me segurei. Medo de não dar certo ou já desesperança, não sei, mas me protegi. E acho que fiz bem.
Obrigado pela atenção, boa noite.
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